O acervo do Museu Histórico Nacional, do Rio de Janeiro, tem mais de 280 mil peças. Cerca de três mil, apenas, porém estão em exposição permanente na instituição. Por isso, uma nova exposição que entra em cartaz a partir deste sábado, 6, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, é uma oportunidade única para o público ver de perto algumas peças importantes do museu.

DNT 04-10-2018 SAO PAULO – SP / CADERNO 2 OE / PINACOTECA RECEBE OBRAS DO MUSEU HISTORICO NACIONAL DO RIO DE JANEIRO – Obra de Edoardo de Martino do Museu Historico Nacional o Rio de Janeiro expostas na Pinacoteca de Sao Paulo. Exposicao que abre dia 6 de outubro paz parte do programa Colecoes em Dialogo – FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Coleções em Diálogo: Museu Histórico Nacional e Pinacoteca de São Paulo tem como objetivo criar uma relação entre a mostra de longa duração do museu paulista com as obras vindas do colega fluminense. A exposição acontece nas quatro salas localizadas nos cantos do segundo andar da Pina, cujas entradas são unicamente por dentro do acervo.

“Nós fazemos o programa Coleções em Diálogo há alguns anos, se baseia na ideia de que nenhuma coleção é completa”, afirma Valéria Piccoli, curadora-chefe da Pinacoteca. “Com as parcerias, você estabelece conexões, contrapõe e ressignifica seu acervo.” Segundo Valéria, as exposições são oportunidade de o público de São Paulo apreciar acervos não tão acessíveis, como quando, em 2016, a Pina recebeu itens do Museu Paulista, que ficará fechado até 2022.

Para o Museu Histórico Nacional, também é uma boa oportunidade de mostrar tesouros do seu acervo. “A maior parte das obras não está em exposição permanente, às vezes até mesmo por conta dos tamanhos, por falta de espaço”, explica o diretor do MHN, Paulo Knauss. “É bom divulgarmos o nosso acervo.”

Uma dessas obras grandes que estão expostas na Pinacoteca é uma pintura do italiano Edoardo De Martino que retrata uma das batalhas decisivas da Guerra do Paraguai, a do Riachuelo. Conhecido por seus trabalhos para a rainha Vitória na Inglaterra, De Martino foi contratado pelo império brasileiro, na época, para retratar a disputa com os paraguaios. O MHN possui diversas pinturas de batalhas navais, especialidade do italiano, e fez uma exposição no começo do ano. Foi o que chamou a atenção da Pinacoteca, que tem apenas um trabalho do pintor.

“Pensei que seria incrível fazer uma exposição sobre ele na Pinacoteca”, explica Valéria. “Começamos a conversar sobre uma colaboração e acabamos idealizando essa exposição.” Por conta disso, uma das salas da mostra colaborativa é dedicada exclusivamente a De Martino, e junta a obra da Pinacoteca, Praia de Botafogo (1870), aos registros navais do Museu Histórico Nacional.

ARQUIVO 05/10/2018 CADERNO 2 / C2 / USO EDITORIAL EXCLUSIVO – Passaporte do pintor viajante Johann Moritz Rugendas, do acervo do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. Foto: Cortesia do Museu Histórico Nacional e da Pinacoteca do Estado de São Paulo

Pinturas históricas

Segundo Valéria, algumas obras do MHN preenchem uma lacuna no acervo. “A Pina nasce de uma divisão do Museu Paulista. O que era contemporâneo, na época, ficou conosco, e o histórico com eles.” Entre as pinturas históricas, principalmente do período imperial, estão obras de Manoel de Araújo Porto-Alegre e João Baptista da Costa.

Em outra sala, obras coloniais e trabalhos que continuam o legado de pinturas religiosas conversam com parte do acervo da Pinacoteca, que aborda a mesma época. Mas o maior destaque está numa mapoteca, que tem desenhos de José dos Reis Carvalho, aluno de Debret, que fez aquarelas de paisagens de seu Estado natal, o Ceará.

“São obras raras e de um artista brasileiro, que fez registros do Ceará, que quase não tem iconografia naquela época”, diz Piccoli. Ali, há também o passaporte do pintor viajante alemão Johann Moritz Rugendas. Sua obra aparece também com a pintura imaginativa Descobrimento da América.

A quarta e última sala foi uma ideia de Paulo Knauss e faz uma ponte entre Rio de Janeiro e São Paulo, ao mostrar o desenvolvimento das cidades no início do século 20. Fica ao lado da parte da exposição permanente com obras de Almeida Júnior, que abordam o interior paulista, e de outros artistas que pintam a capital. Para a seção, foram selecionadas obras que registram momentos marcantes da história recente do Rio, como o desmonte do Morro do Castelo, em 1922. “O desmonte está relacionado à origem do Museu Histórico, inaugurado no centenário da independência”, explica Knauss.

Para todos os núcleos, a escolha das obras foi feita em parceria entre as duas instituições. “Pedimos ajuda, eles têm um conhecimento do acervo que nós não temos”, diz Pedro Nery, curador da Pina. “Queríamos mostrar a diversidade do nosso museu e buscar correlações com a Pina”, afirma Knauss.

Num período posterior ao incêndio no Museu Nacional, Paulo acredita ser importante valorizar também o trabalho de outras instituições do Rio, como o MHN. “Nós tivemos uma tragédia, mas o País ainda tem museus com um trabalho estabelecido de proteção ao acervo. É importante mostrar que o Rio tem outras coleções históricas importantes.”

Na exposição na Pinacoteca, o foco está em itens do Museu Histórico que lá, na sede, não têm tanto destaque, já que o acervo é também documental e mobiliário, armaria e outras peças de colecionismo. Por isso, a Pina optou por encerrar a mostra com um quadro do pátio do MHN. “É um convite”, diz Nery.

COLEÇÕES EM DIÁLOGO: MUSEU HISTÓRICO NACIONAL

Pinacoteca: Praça da Luz, 2 – Tel.: 3324-1000.

De 4ª a 2ª: das 10 às 18h. R$ 6

Gratuito aos sábados. 

Até 28/01.

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